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Reversi (Othello)

O Reversi aprende-se num minuto e joga-se mal durante anos, por um motivo contraintuitivo: ter mais peças a meio da partida é quase sempre mau. Só conta a contagem final, e o caminho até lá passa por deixar menos jogadas ao adversário, não por ter mais peças.

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As regras

Tabuleiro 8×8, peças pretas e brancas. Começa-se com quatro peças ao centro, cruzadas. As pretas jogam primeiro.

Cada jogada tem de cercar: põe-se uma peça de modo que uma ou mais filas de peças adversárias — na horizontal, na vertical ou na diagonal — fiquem presas entre a peça acabada de pôr e outra da sua cor. Todas as peças cercadas mudam de cor.

Se não tiver jogadas válidas, passa a vez. A partida acaba quando nenhum dos dois pode jogar, normalmente com o tabuleiro cheio, e ganha quem tiver mais peças.

No Pocket Games joga-se a dois no mesmo telemóvel ou contra o bot em três níveis, o mais alto dos quais olha cinco jogadas à frente. Vitórias, empates e derrotas ficam no dispositivo.

Porque é que ter mais peças é mau

É o princípio que vira do avesso a intuição de qualquer principiante, e chama-se mobilidade.

Cada peça que possui é uma peça que o adversário pode virar. A meio da partida, quem invadiu o tabuleiro tem imensos alvos e pouquíssimas jogadas boas: mais cedo ou mais tarde é obrigado a jogar ao lado de um canto e a entregá-lo. Quem, pelo contrário, tem poucas peças, todas agrupadas no centro, tem sempre muitas jogadas à disposição e pode escolher a melhor.

A regra prática é portanto: a meio da partida jogue para ter poucas peças. As jogadas que viram muitas peças de uma vez costumam ser as piores. A contagem só conta no fim, e as últimas dez jogadas viram-na de qualquer maneira.

Os cantos, os bordos e as casas a evitar

Os cantos são definitivos. Uma peça num canto nunca mais pode ser virada, porque para lá dela não há nada que feche um cerco. Dali constroem-se filas estáveis ao longo dos bordos. Quem apanha três cantos em quatro ganha quase sempre.

As casas X. São as quatro casas na diagonal em relação aos cantos: ocupá-las é quase sempre um desastre, porque dá ao adversário a jogada que conquista o canto. São o erro mais caro do jogo.

As casas C. As adjacentes aos cantos ao longo dos bordos: perigosas pelo mesmo motivo, ainda que menos letais do que as X.

Os bordos não são automaticamente bons. Uma peça no bordo é mais difícil de virar, mas se não estiver ancorada a um canto pode sê-lo perfeitamente. Ocupar um lado inteiro sem ter os cantos é uma posição frágil.

A última fase

Nas últimas dez a quinze jogadas a lógica inverte-se: agora as peças contam mesmo, e o jogo passa a ser uma conta. Duas coisas a ter em mente:

Perguntas frequentes

Reversi e Othello são a mesma coisa?

Quase: o Reversi é o jogo vitoriano original, o Othello é a versão registada de 1971 que fixou a posição inicial e as regras. O que se joga hoje, aqui incluído, é o Othello.

O que acontece se não puder jogar?

Passa a vez e é outra vez do adversário. Se nenhum dos dois puder jogar, a partida acaba mesmo com o tabuleiro não cheio.

Convém virar o máximo de peças?

Não, e é o erro número um. A meio da partida convém virar poucas e manter muitas jogadas disponíveis: a contagem faz-se no fim.

O bot é forte?

No nível alto olha várias jogadas à frente e não entrega os cantos. Contra ele a estratégia da mobilidade não é um conselho elegante: é a única forma de ganhar.

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